
Assim a mãe escreve:
Eu
não quero aula online para os meus filhos enquanto enfrentamos uma pandemia
mundial.
Eu
quero que eles fiquem seguros em casa sem mais uma preocupação de precisar
entregar mil tarefas.
Eu
não me importo se eles vão terminar o Ensino Médio aos 17 ou aos 18.
Lá
na frente, isso não vai fazer a menor diferença. Saúde mental e emocional
importam mais que conteudismo.
Aceito,
com carinho, sugestões de links para visitar museus e vídeos de desenhos
educativos.
Nem
precisaria, mas entendo que escolas particulares precisam manter esse vínculo
para justificar o pagamento das mensalidades.
Eu
não quero que os professores dos meus filhos se tornem, de um dia pro outro,
sem treinamento, youtubers que fazem vídeos de qualidade duvidosa.
Esses
profissionais merecem respeito.
Não
desejo que eles tenham suas imagens expostas, sejam cobrados por algo que não
foram contratados pra fazer e fiquem sobrecarregados com gravação, edição e
tudo mais que envolve fazer vídeos.
Eu não quero que minha família tenha mais uma preocupação além de passar o dia cozinhando, limpando, desinfetando a casa e passando álcool em sacola de mercado.
Estamos
em modo de sobrevivência.
Existe
uma diferença entre ajudar a fazer um dever de casa e passar 3 horas por dia
sendo responsável por uma obrigação que é da escola e que ela não está
conseguindo cumprir, por motivos óbvios.
Por
mais que você faça um vídeo mirabolante, isso não se chama Educação.
Eu
não quero que meus filhos estejam à frente do aluno da escola pública porque,
aqui, tem computador pra todo mundo e espaço para eles estudarem.
Se
todas as crianças não conseguem acompanhar aulas online por falta de recursos,
eu não quero que meus filhos tenham essa "vantagem" porque a gente
pode pagar.
A
pandemia não pode ser mais um motivo para aumentar o abismo social.
Eu
quero que a escola se reinvente e se reinventar não significa transformar
professor em youtuber, mas aprender a abrir mão do conteudismo, entender que
aprendizagem vai além do que é dado pela escola e aceitar que o ano letivo já
não cabe mais em 2020.
O
contrário disso é só fingimento.
A
escola finge que está cumprindo seu papel e os alunos fingem que estão
aprendendo.
Uma
hipocrisia à distância.
Edivaldo do Carmo
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