quinta-feira, 9 de abril de 2020

Ser Sal e Luz

Somos Sal e Luz



Uma vida atenta às necessidades do próximo não só se consumirá em fazer o bem como não esperará nada em troca, a não ser, se tornar sal que dá sabor e luz que ilumina a vida de alguém, pois compreende que vivendo assim, estará dando sentido à própria vida e devolvendo o sentido à vida de uma pessoa, de tal forma que ela reencontre o sentido de ser, de fazer e de existir.

Quando devolvemos o sentido de existir a alguém, estamos sendo sal e luz para ele. Como sal, ao fazermos isso, devemos ficar oculto; que a nossa luz brilhe diante do mundo, para que todos vejam que, apesar de tudo, há muita coisa boa sendo feita às pessoas e ao mundo, através de nós.

Sem nenhuma necessidade de aparecer, há muita gente sendo sal e luz, dando gosto e sabor a muitas pessoas e as iluminando por dentro e por fora. Assim agiu Jesus quando esteve entre nós e, nesse tempo, nos constituiu seus discípulos, a partir da ordem “Vós sois a luz do mundo”. Jesus compartilha com homens e mulheres de boa vontade sua própria vida e missão, dividindo conosco a responsabilidade de, pelo testemunho, sermos luz que ilumina e sal que dá sabor.

Como lâmpada acesa colocada no candeeiro, a nossa responsabilidade é a de manter o mundo iluminado. E onde alimentamos nossa luz? No seu Evangelho. Os primeiros discípulos de Jesus eram pescadores e, como ninguém, sabiam o problema que era um sal estragado. A atividade pesqueira usava o sal para conservar os peixes adequados para sua comercialização. Assim, além de dar sabor ao mundo, transformando realidades, os discípulos têm a função de conservar no mundo os valores do Reino.

Os discípulos de Jesus, em sua maioria pescadores, compreendiam muito bem o impacto de uma afirmação como esta: “Vós sois o sal da terra. “Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos”? Seria um desastre total diante de um esforço medonho da pesca e, por causa de um sal insonso, perder todo o pescado. Para nós, nos dias de hoje, ao perdermos a característica do sal e da luz, o reino de Deus a nós confiado estará correndo risco.

Diante do exposto, que sentido teria uma prática religiosa marcada por muitas devoções e poucos gestos de amor comprometido com os mais necessitados? A autenticidade do anúncio dependerá muito mais da ação de Jesus Cristo crucificado em nós do que da nossa mera sabedoria humana. Os seguidores de Jesus temos a responsabilidade de transformar o mundo pelo anúncio e, sobretudo, pelo testemunho.

O cristão dá sabor ao mundo e o ilumina quando se conforma a Jesus, vivendo, como ele, as bem-aventuranças. Sem medo, com bondade no coração, sejamos, como Isaías e Paulo, sal da terra que dá sabor e vida; luz do mundo, que dissipe as trevas do coração humano e, assim, a Trindade Santa venha fazer morada.

Edivaldo do Carmo



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