Uma vida atenta às necessidades do próximo não só se
consumirá em fazer o bem como não esperará nada em troca, a não ser, se tornar
sal que dá sabor e luz que ilumina a vida de alguém, pois compreende que
vivendo assim, estará dando sentido à própria vida e devolvendo o sentido à
vida de uma pessoa, de tal forma que ela reencontre o sentido de ser, de fazer
e de existir.
Quando devolvemos o sentido de existir a alguém, estamos
sendo sal e luz para ele. Como sal, ao fazermos isso, devemos ficar oculto; que
a nossa luz brilhe diante do mundo, para que todos vejam que, apesar de tudo,
há muita coisa boa sendo feita às pessoas e ao mundo, através de nós.
Sem nenhuma necessidade de aparecer, há muita gente sendo
sal e luz, dando gosto e sabor a muitas pessoas e as iluminando por dentro e
por fora. Assim agiu Jesus quando esteve entre nós e, nesse tempo, nos
constituiu seus discípulos, a partir da ordem “Vós sois a luz do mundo”. Jesus
compartilha com homens e mulheres de boa vontade sua própria vida e missão, dividindo
conosco a responsabilidade de, pelo testemunho, sermos luz que ilumina e sal
que dá sabor.
Como lâmpada acesa colocada no candeeiro, a nossa
responsabilidade é a de manter o mundo iluminado. E onde alimentamos nossa luz?
No seu Evangelho. Os primeiros discípulos de Jesus eram pescadores e, como
ninguém, sabiam o problema que era um sal estragado. A atividade pesqueira
usava o sal para conservar os peixes adequados para sua comercialização. Assim,
além de dar sabor ao mundo, transformando realidades, os discípulos têm a
função de conservar no mundo os valores do Reino.
Os discípulos de Jesus, em sua maioria pescadores,
compreendiam muito bem o impacto de uma afirmação como esta: “Vós sois o sal da
terra. “Ora, se o sal se tornar insosso, com que salgaremos”? Seria um desastre
total diante de um esforço medonho da pesca e, por causa de um sal insonso,
perder todo o pescado. Para nós, nos dias de hoje, ao perdermos a
característica do sal e da luz, o reino de Deus a nós confiado estará correndo
risco.
Diante do exposto, que sentido teria uma prática religiosa
marcada por muitas devoções e poucos gestos de amor comprometido com os mais
necessitados? A autenticidade do anúncio dependerá muito mais da ação de Jesus
Cristo crucificado em nós do que da nossa mera sabedoria humana. Os seguidores
de Jesus temos a responsabilidade de transformar o mundo pelo anúncio e,
sobretudo, pelo testemunho.
O cristão dá sabor ao mundo e o ilumina quando se conforma a
Jesus, vivendo, como ele, as bem-aventuranças. Sem medo, com bondade no
coração, sejamos, como Isaías e Paulo, sal da terra que dá sabor e vida; luz do
mundo, que dissipe as trevas do coração humano e, assim, a Trindade Santa venha
fazer morada.
Edivaldo do Carmo

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