REFLEXÃO PASCAL – Parte IV | JOÃO 10,1-10 (ANO A) | Pe. Francisco Cornélio F. Rodrigues
Conforme Jesus já tinha denunciado no capítulo anterior (cf. 9,40-41), o
sistema opressor é cego e leva os que estão sob seu domínio também à cegueira,
por isso, “não entenderam o que Jesus queria dizer” (v. 6) com essa comparação
ou parábola.
Diante da cegueira e da falta de compreensão de seus interlocutores (cf.
9,40-41; 10,6), Jesus passa a falar de modo mais claro e objetivo,
apresentando-se como a própria porta (v. 7).
De fato, como único mediador entre a humanidade e o Pai, Ele pode mesmo
reivindicar para si a função, embora simbólica, de porta, pois é Ele e seu
Evangelho o critério único de pertença ao Pai.
A denúncia aos que se auto intitulavam representantes de Deus na terra
continua, ao chamá-los de ladrões e bandidos e anunciar o fim do antigo sistema
(v. 8); esses estão sendo desmascarados e caindo em descrédito, à medida em que
a voz de Jesus vai sendo ouvida, através do Evangelho.
À medida em que repete sua autoafirmação como a porta, (v. 9), Jesus
ressalta a falência da instituição religiosa.
Como o Evangelho e a lei são inconciliáveis, “só será salvo quem entrar
por Ele”; somente assim alguém poderá “entrar e sair” encontrando a pastagem
necessária para a vida.
Seu programa de vida é marcado pela liberdade e só será plenamente livre
quem ouvir sua voz, passando por Ele e vivendo a proposta de vida contida no
Evangelho.
O movimento de entrar e sair é a expressão máxima de liberdade e, ao
mesmo tempo, oposição à lei e ao sistema que aprisionava e até matava.
A pastagem que se encontra quando passa por Ele é a liberdade e a vida
plena e abundante que Ele quer nos comunicar (v. 10).
A vida em abundância é, na verdade, a vida livre, digna e plena de amor,
para a qual o Evangelho direciona e da qual a lei privava o ser humano.
Não se trata de uma vida para o além, mas da realização plena do ser
humano em sua vida neste mundo.
Podemos dizer, à guisa de conclusão, que em nossas comunidades a voz do
Pastor, o único, é ouvida quando a verdade e o amor superam qualquer código de
normas e doutrinas pré-concebidas mesmo que em nome de Deus.
Jesus é porta em nossas comunidades quando não há segregação, nem
discriminação e nem exclusão.
Somos comunidades guiadas por Jesus, quando a única proposta que nelas
se apresentam está de acordo com o Evangelho e as pessoas podem entrar e sair
livremente.
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