quinta-feira, 14 de maio de 2020

SEM - Seção Edivaldiana (Mensagem)

REFLEXÃO PASCAL – Parte IV | JOÃO 10,1-10 (ANO A) | Pe. Francisco Cornélio F. Rodrigues

Conforme Jesus já tinha denunciado no capítulo anterior (cf. 9,40-41), o sistema opressor é cego e leva os que estão sob seu domínio também à cegueira, por isso, “não entenderam o que Jesus queria dizer” (v. 6) com essa comparação ou parábola.

Diante da cegueira e da falta de compreensão de seus interlocutores (cf. 9,40-41; 10,6), Jesus passa a falar de modo mais claro e objetivo, apresentando-se como a própria porta (v. 7).

De fato, como único mediador entre a humanidade e o Pai, Ele pode mesmo reivindicar para si a função, embora simbólica, de porta, pois é Ele e seu Evangelho o critério único de pertença ao Pai.

A denúncia aos que se auto intitulavam representantes de Deus na terra continua, ao chamá-los de ladrões e bandidos e anunciar o fim do antigo sistema (v. 8); esses estão sendo desmascarados e caindo em descrédito, à medida em que a voz de Jesus vai sendo ouvida, através do Evangelho.

À medida em que repete sua autoafirmação como a porta, (v. 9), Jesus ressalta a falência da instituição religiosa.

Como o Evangelho e a lei são inconciliáveis, “só será salvo quem entrar por Ele”; somente assim alguém poderá “entrar e sair” encontrando a pastagem necessária para a vida.

Seu programa de vida é marcado pela liberdade e só será plenamente livre quem ouvir sua voz, passando por Ele e vivendo a proposta de vida contida no Evangelho.

O movimento de entrar e sair é a expressão máxima de liberdade e, ao mesmo tempo, oposição à lei e ao sistema que aprisionava e até matava.

A pastagem que se encontra quando passa por Ele é a liberdade e a vida plena e abundante que Ele quer nos comunicar (v. 10).

A vida em abundância é, na verdade, a vida livre, digna e plena de amor, para a qual o Evangelho direciona e da qual a lei privava o ser humano.

Não se trata de uma vida para o além, mas da realização plena do ser humano em sua vida neste mundo.

Podemos dizer, à guisa de conclusão, que em nossas comunidades a voz do Pastor, o único, é ouvida quando a verdade e o amor superam qualquer código de normas e doutrinas pré-concebidas mesmo que em nome de Deus.

Jesus é porta em nossas comunidades quando não há segregação, nem discriminação e nem exclusão.

Somos comunidades guiadas por Jesus, quando a única proposta que nelas se apresentam está de acordo com o Evangelho e as pessoas podem entrar e sair livremente.

         Edivaldo do Carmo

 

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