domingo, 17 de maio de 2020

SEM - Seção Edivaldiana (Mensagem)

Uma preciosidade em forma de texto, intitulado Reflexões do meu pai, chega em minhas mãos, de autoria desconhecida, vejo-me motivado em partilhá-lo com você, postando-o aqui, no blog Reflexões Edivaldianas. Espero que goste.

 

REFLEXÕES DO MEU PAI

 Meu pai tinha muitos problemas.

Dormia mal e se sentia exausto.

Era irritado, mal-humorado e amargo.

Até que um dia, de repente, ele mudou.

Um dia, minha mãe disse-lhe:

-Amor, estou há três meses à procura de um emprego e eu não encontrei nada.

Vou tomar chá com as minhas amigas.

Meu pai respondeu:

-Está bem...

Meu irmão disse-lhe:

-Pai, vou mal em todas as matérias da Faculdade.

Meu pai respondeu:

-Está bem.

Você vai se recuperar.

E se não o fizer, você poderá repetir o semestre.

Mas você vai pagar a sua taxa de matrícula.

Minha irmã disse:

-Pai, bati com meu carro.

Meu pai respondeu:

-Está bem filha.

Leve-o para a oficina e procure uma forma de como pagar.

E enquanto eles consertam, vá andando de ônibus ou metrô.

Sua nora disse-lhe:

-Sogro, eu vim passar alguns meses com vocês.

Meu pai respondeu:

- Está bem.

Acomode-se no sofá da sala e procure alguns cobertores no armário.

Todos, na casa do meu pai, nos reunimos preocupados em ver essas suas reações.

Nós propusemos, então, fazer um "questionamento" a ele para afastar qualquer possibilidade de reação que fosse provocada por alguma medicação anti-birras.

Mas, qual não foi a nossa surpresa quando o meu pai nos explicou:

"Demorou muito tempo para perceber que cada um é responsável por sua vida.

Levou-me anos descobrindo que minha angústia, minha mortificação, minha depressão, minha coragem, minha insônia e meu stress não resolveriam os seus problemas.

Mas, sim, exacerbaram os meus".

Eu não sou responsável pelas ações dos outros.

Eu sou responsável pelas reações de como eu me expresso perante elas.

Portanto, cheguei à conclusão que o meu dever para comigo mesmo é manter a calma e deixar que cada um resolva aquilo da forma que lhe convier.

Tenho feito cursos de Yoga, de meditação, de milagres, de desenvolvimento humano, de higiene mental, de vibração e programação neurolinguística.

E, em todos eles, eu encontrei um denominador comum: no final, todos nos levam ao mesmo ponto.

Ou seja, eu só posso ter ingerência sobre mim mesmo.

Vocês têm todos os recursos necessários para resolver suas próprias vidas.

Eu só posso dar meu conselho se por acaso me pedirem.

E cabe a vocês decidirem segui-lo ou não.

Então, de hoje em diante, parei de ser o receptáculo de suas responsabilidades, o carregador de suas culpas, a lavanderia dos seus remorsos, o advogado de seus defeitos, o Muro das Lamentações, o depositário das suas funções, que resolve seus problemas ou sua borda de reposição para cumprir suas responsabilidades.

De agora em diante, eu os declaro todos adultos, independentes e autossuficientes.

Todos na casa do meu pai permaneceram em silêncio.

Desde aquele dia, a família começou a funcionar melhor porque todo mundo em casa sabe exatamente o que lhes cabe fazer.

Transmita este texto aos amigos (irmãos, tios, filhos...) e para todas as mulheres maravilhosas que você mantém como amigas (mães, irmãs, filhas...).

Essa mensagem se aplica a todas as famílias.

 Comentário:

Primeiro, considero que este texto é lindo e precioso.

Segundo, honra-me muito partilhar com os outros algo bom que foi partilhado comigo.

Terceiro, do que tenho a dizer sobre o texto a seguir é:

O texto é o princípio, meio e fim de um senso equilibrado, condensado e lúcido de uma pessoa que tem plena governabilidade sobre si mesma e uma profunda urbanidade com todos quanto estão à sua volta.  Uma pessoa de sólida gerência, que não atrai problemas para si, por entender que essa não é a melhor escolha.

Antes, aponta caminhos e inspira soluções.

O texto descreve uma pessoa (eu, você ou qualquer outra pessoa) que não carrega o mundo ou o problema do mundo sobre as suas pernas, mas desperta a cada um para sua parcela de responsabilidade naquilo que faz ou deixa de fazer.

Todos nós somos administradores de nós mesmos e, quando nos sucumbimos no oceano da nossa realidade, então, nós nos revelamos a nós mesmos e ao mundo inteiro o tamanho da nossa imaturidade, sendo péssimos gestores de nós mesmos.

Ainda que aceitemos a gravidade da situação na qual estamos mergulhados profusamente, devemos tomar sempre a melhor decisão e, do meio das cinzas que nos tornamos, levantar, decididos a sermos homens novos, como este que o texto tão bem descreve.

Atitude é tudo. Não precisamos deixar de ser o que somos. Apenas devemos agir diferentemente de como agíamos, não assumindo os erros de ninguém, mas os nossos próprios erros, sabendo lidar sabiamente com as pessoas que estão à nossa volta, sendo elas da família ou não. Atos de solidariedade e maturidade devemos demonstrar a todos, sempre e serenamente.

É isso!

Graça e paz! Paz e bem!


               Edivaldo do Carmo

 

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